false alarm

we sounded the alarm too soon. all the missing goods showed up, so i can maintain that in over 800 people nobody ever stole anything. though this is somewhat fishy (turning up in someone’s bag some days later), it maintains the tit for tat negotiation that i think is the core of security in these hospitality networks.

so, so far, no violence or theft in over 800 guests from all over the world. that’s definitely something.

guests, country and GDP

i’m moving closer and closer to a normalized database, and with it, many new stats. one of the ones i wanted to see was the distribution of guests by country. i noticed early on that i seemed to get guests mostly from rich countries and no guests from africa for example. so i also cross referenced it with the GDP of each country. there is a relation, no doubt.

these are the results for the total amount of guests. i didn’t do stats on uncertain origins.

guests/country

zoomed in:

guests/country (detail 1)

guests/country (detail 2)

guests/country (detail 3)

these are a bit more interesting, how they relate to GDP (sorry, had to put the legend in the middle so it wouldn’t cover points, and it’s so big it didn’t fit).

GDP/guests

GDP per capita/guests

in both cases we can see that there is a great “divide” between the high GDP – high traveling countries and a lot of poor visitors on the bottom.

you can get the R source code and the source data and replicate my results. remember the data is licensed (see license on the bottom of the page). i will progressively provide more stats while i normalize the database.

what i see here is just another obvious fact. rich people travel more, poor people just can’t do it. couchsurfing might enable people to travel using less money, but it’s failing at getting poor people to join it. think about it, who has access to the internet and enough money to travel? i don’t want to be simplistic, but i do think this is food for thought. in a way, it is a hospitality network not for those that need it, but for those that don’t. just think about that taboo on couchsurfing: never say you’re short on cash! i guess you can’t be poor and acknowledge it.

this is apropos, we had our first money theft in a house (at _42). i guess it was only a matter of time until it would happen.

medo e ignorância no controlo policial

(today i’ll be writing in another language, you can google translate it)

sem querer ser especialmente concreto em termos de exemplos, há neste momento um método altamente duvidoso de controlo por parte da polícia portuguesa. este baseia-se exclusivamente no facto dos cidadãos desconhecerem os seus direitos.

mais que uma vez, durante um processo legal de ocupação, os agentes da autoridade entram sem autorização no imóvel e ameaçam directamente os ocupantes. estes são insultados e encorajados a reagir violentamente, e expulsos à força do imóvel ocupado.

dado que estamos a lidar com, na sua maioria, jovens, estes não têm os conhecimentos necessários dos seus direitos para reagir adequadamente e expressar a sua cidadania. para piorar a situação, os agentes da autoridade mostram pouca (ou nenhuma) tolerância, e na maior parte das vezes, total desconhecimento da lei portuguesa. aproveitam-se também do nervosismo dos ocupantes para extrair falsas confissões, aproveitando-se do facto da maioria dos cidadãos não saber que ocupar não é crime em certas circunstâncias. isto é feito dizendo coisas como “vocês estão aqui ilegalmente” ou “vai tudo de cana”, quando na verdade em portugal somos inocentes até que se prove o contrário. mas assim que um ocupante se auto-incrimina num crime que não existe a polícia usa imediatamente isso como argumento.

alguns agentes mais hábeis extraem a pseudo confissão de um crime inexistente perguntando coisas como “mas vocês sabem que estão a fazer uma coisa ilegal?” ou “têm consciência de que não podem fazer isto?”. note-se que isto é um teste à boa fé do ocupante. é essencial que o ocupante esteja bem ciente dos direitos e das coisas que não deve dizer.

não existe qualquer contexto para expulsar um cidadão de uma propriedade se a ocupação está nos termos da lei (ver Secção II (Usucapião), Capítulo VI, Título I do Código Civil da República Portuguesa), na situação em que o dono está ausente ou pura e simplesmente não quer saber, não existe ou está morto sem herdeiros. é o proprietário que terá de accionar os meios para despejar os ocupantes e não a polícia. frequentemente, o próprio dono não quer saber e prefere ocupação por pessoas de bem a ocupação por agarrados.

durante a nossa ocupação do SPCC, por várias vezes tivemos visitas deste género. a primeira, normalmente a que vem fingir ilegalidade e intimidar, foi inicialmente feita por dois agentes da judiciária e vários PSPs. as perguntas que referi acima foram feitas aos ocupantes de forma a criar situações incriminatórias. de qualquer forma, julgo ser oportuno referir alguns princípios base para evitar situações de despejo ilegal.

1) portugal não é a alemanha ou a holanda onde a brutalidade policial contra ocupas é legalizada e os ocupas são terroristas profissionais. em portugal, é preciso esquecer os estereótipos do “ocupa e resiste” de outros países. é preciso entender a realidade legal portuguesa como especialmente tolerante nestas situações e, consequentemente, a ausência de poder por parte das autoridades;

2) em portugal a maioria dos polícias são mal pagos, trabalham demais, e vêm de uma classe baixa. isto quer dizer que o discurso de esquerda, unificador de consciência de classe é essencial para uma boa negociação com a polícia. gritar e chamar nomes e faltar ao respeito é completamente inútil. é importante encarar os agentes da autoridade (no fundo, trabalhadores precários como muitos de nós com a excepção de uns meses de lavagem cerebral) com respeito e tolerância. muitos deles são inexperientes, mal treinados ou pura e simplesmente inocentes nos juízos que fazem das situações. note-se que este princípio não vale para os “chefes”, que são basicamente autoritários (por definição) e faltam permanentemente ao respeito aos cidadãos (note-se que os chefes são classes baixas que “subiram” na vida, fazendo por pertencer mais às classes dominantes que às trabalhadoras);

3) é essencial manter a calma, não estar bêbado ou com uma moca do caralho. está claro que com uma granda moca é impossível negociar decentemente com a polícia. a polícia usa luzes bastante fortes para analisar a linguagem corporal dos ocupantes e verificar se estão com comportamento perigoso (por isso é que nos apontam sempre a luz à cara). tenham disciplina e fumem a ganzita quando estiver tudo calmo. não é ilegal fumar ganzas nem beber (nem oferecer copos aos agentes), portanto basta que tenham apenas para consumo próprio e não estarão a incorrer em nenhuma ilegalidade. mesmo que a polícia faça ameaças, basta que digam que têm para consumo próprio. o pior que vos pode acontecer é irem a um psicólogo pago pelo estado, o que até pode ser visto como uma coisa boa em alguns casos;

4) definir um porta voz que conheça as leis e os direitos e que saiba falar com calma e resistir aos insultos policiais. muita gente a falar e nervosa aumenta a probabilidade de alguém fazer merda. cuspir num polícia, chamar-lhe nomes, atirar-lhe pedras, qualquer uma dessas situações de desrespeito à autoridade é suficiente para levarem todos para a esquadra ou levar porrada. falar calmamente, tratar o agente com respeito e tolerância, referir o que se faz racionalmente é essencial para uma boa negociação. atenção que é preciso sempre manter a calma, porque a polícia irá constantemente referir ilegalidades, muitas vezes inexistentes, e ameaçar com prisão ou violência. basta que digam coisas do género “senhor agente, agradecia que não me faltasse ao respeito, sou um cidadão e pago os meus impostos” ou coisas do género. se não vos disseram boa noite, dizem vocês “boa noite, como está”. por estranho que pareça, a educação vale muito para estabelecer os termos da negociação;

5) permitir que os agentes entrem na propriedade. sei que a maior parte dos ocupas odeia esta ideia, mas eu tenho uma opinião diferente. se não têm agarrados nem estão a fazer molotvs e bombas, qual é que é o problema? os polícias são trabalhadores explorados como nós. sejam hospitaleiros, convidem as pessoas a entrar, expliquem o projecto de ocupação e as motivações. no SPCC um dos polícias que nos visitou até disse que acreditava na anarquia (sim, um polícia anarquista!). mostrem que estão a exercer a vossa cidadania e que estão apenas a reivindicar os vossos direitos constitucionais (ver Alínea d), Ponto 2, Artigo 65 da Constituição da República Portuguesa, ainda que o Artigo 65 seja todo a propósito), que estão na realidade a melhorar a vossa comunidade. a resistência pacífica (deixar entrar mas não sair) é muito mais poderosa do que levar com a brigada de intervenção a arrombar a porta com caçadeiras na mão;

6) mantenham sempre que a casa estava aberta, que não sabem de nada, que não têm onde viver, que o dono não vos contactou, e que não destruíram nada. podem tentar o bluff da autorização do dono, mas isto pode dar para o torto se a queixa em causa foi feita pelo próprio dono. não vale a pena armarem-se em rebeldes e dizerem “habitação é um direito” e abanar as bandeiras okupas. basta que sejam sinceros sobre a vossa situação: trabalho precário, desemprego, falta de oportunidades, problemas na família, são todas questões reais e que são muito mais importantes que justificar o penteado e as correntes;

7) só saiam quando o dono ou alguém à ordem dele vos mandar sair, de preferência com ordem de despejo. não é preciso virem os goes para bater em toda a gente. se querem que saiam e o fazem nos termos da lei, então peguem nas vossas coisas, saiam e ocupem um sítio novo. o que não falta é casas à espera de serem ocupadas.

em relação à escolha da casa em si, é ideal que se faça uma investigação do passado do imóvel. por exemplo, procurar o registo predial, pesquisar a morada online e obter contactos e depois fazer um “phreaking”, isto é, um hacking social. telefonar e pedir informações sobre o imóvel sem dar identificação, justificar com coisas como “é para uma reportagem” ou “sou fotógrafo”, ou até, dependendo da situação, explorar a actividade antiga do imóvel. e.g., no SPCC, era da firma “SPC”, então contactámos a firma directamente para saber o que se passava com o edifício.

também é util saber a actividade diária, mantendo vigília do local frequentemente antes da entrada. isto permite saber se há agarrados na área e se o proprietário visita frequentemente o imóvel.

mais uma vez, isto não é um filme, portugal não é um país violento, nem é preciso andar aí armado em terrorista do black block. habitação é um direito constitucional e os melhores ocupas que eu conheço são os velhos que vivem nas casas de guarda da cp, nas casas antigas das fábricas, etc. mas como não dizem que são okupas nem andam aí com t-shirts de anarquia, em vez de levarem porrada da polícia, dão-lhes comida e casa e apoio social. qual é a diferença? vale a pena ser extremista se somos permanentemente desalojados? a minha opinião é que não.

este é o aviso legal (pdf) que tínhamos no SPCC. podem copiá-lo à vontade e fazer as versões que quiserem. o site do SPCC está em baixo mas deve voltar em breve.

boas ocupações!

repeating old stuff

not just that mubarak just went on holiday to sinai (i maintain my expectations on the subject). apparently he just took off with the country’s fortune.

but that’s not the only thing that apparently is old stuff. i also learned that a lot of my work has already been done, from another angle, by the influence of neural darwinism. there are many parallels to what i have been building, with a major difference. i use a more mathematical and physical definition of how information is represented, whereas this formulation is more empirical, coming from medical science which uses different methods.

there is a strong parallel, especially towards subjectivity and how subjectivity emerges in connected networks. i recommend checking out this interview with edelman about this subject. there are many other models on neural networks, and what i’ve been writing isn’t very original beyond the fact that it has sociological outlines beyond the simple pattern recognition. anyway, i’m not planning on sending my work to sinai anyway, but it’s always good to know the existing ideas.

hidden prejudices

we’ve been having several discussions over at _42 about astrology, mayan astrology, blood type divination and so on. i thought i’d give my opinion on it. i’m going with astrology because i know a bit about it. it is also coinciding with the every-now-and-then wave of “astrology is bullshit” in the media, followed by an uproar of astrologers and other like minded mystics.

but i am not going to talk about how it is wrong, scientifically speaking. let’s be clear. there is no evidence backing astrology whatsoever. read this paper if you want to know more about it, or just google science blogs for it.

this is about a different thing. let’s forget the fact that we are dealing with something that isn’t “real”, in a scientific sense, i.e., there is no possible physical connection between the stars and our own fate. to quote carl sagan, the gravitational effect of mars is nowhere near as big as the effect of the doctor that conducts the birth. most forces in nature fall with anyway. but as i said before, we are not driven by fact alone. human beings have other, sometimes more important, ways of asserting truth and falsehood. i call them stories, but they are mostly a way of testing each individual’s cognitive bubble.

to an individual that believes astrology is true, it will be true, not because it is factually correct, but because in their own mind it is true. a falsehood it may be, but since this individual is not willing to question its beliefs, a side effect of confirmation bias and cherry picking, it will work to prove its own perception anyway, regardless of what is testable.

so that individual will conduct its life like as usual, but using astrology as a tool like every other, regardless of whether it is real or not. faith, superstition, are all part of this human tendency to be uncritical. but in practice, being critical is not only rare, it is even misunderstood.

so someone that believes they don’t get along with a leo will, once they know someone is a leo, feel an instinctive, irrational, preconceived notion about that individual. this is a seed for prejudice. prejudice on who they are, what they do, and sometimes, even on how they live and they love. but if the two individuals engaged in this interaction share the misconception, i.e., believe in astrology, they will also believe that there is something beyond them that unites them. in a way, it will promote togetherness more than it would in some other case. in this case, the prejudice is a positive one. like arranged marriages in india, if an astrological culture is ingrained enough, and the fact that individuals share a common (yet false) belief, allows for that belief to have measurable effects on reality. one of my favorites is when two people are attracted to each other, they will cherry pick compatibility points between their signs, and once their relationship gets into trouble, it gets blamed again on some cherry picked points on their chart. the job of the chart itself is neutral. it is an endless pool of nonsense to justify intolerance and self worth.

but this makes astrology real, in the sense that its effects are measurable, but not true, in the sense that it is not the cause of the effect. the cause of the effect is human subjectivity itself. so the effect of astrology is there, but astrology itself is meaningless in this process. it could be zodiac, but it could also be blood types (very popular in japan but not elsewhere), mayan astrology, or just race or hair color.

now, this is interesting and overlooked. critical thinkers will respond to astrology believers with facts, numbers, even by doing simple tests (like the one me and a guest did, by trying to guess each other’s sign, coming out worse than a coin toss). but the fact is that astrology itself, being a story, has little to do with facts. someone that has accepted it as true for years in their life will have tremendous difficulty accepting that it is false. so much, in fact, that realizing it is not true is not enough to change the opinion of the involved. this is smugged as ignorance by critical thinkers. but what are they offering in return? what is to replace years of study of the harmony of the stars and their relationships, how mars in taurus is so different from it being in gemini? how do we tell someone that believes they are on an earthly mission given by the celestial divine, mapped out in constellations and orbits, that in fact they are just another human being on a mote of dust?

this is why we fail. this is why i fail whenever i bring up the facts on some long held belief. i have nothing to replace it with. it reminds me of the native american (and chinese) proverb tell me and i will forget, show me and i will learn, involve me and i will understand. showing and telling are easy. this is what i do. and it might even seed doubt in faithful minds. but i can never inject my years of scientific inquiry, or my deep understanding of the marvels of nature. they would have to walk with me, all those years, to understand how astrology is bullshit and how the world is better without it.

but in doing so, they would become a copy of myself, and i couldn’t learn a single new thing from a cognitive clone. talking with like minded people is, essentially, talking to oneself, a covert narcissism. it is easy to out these things as rubbish. what is hard is to understand them, why they exist, why they are necessary, and, more importantly, what can we offer that is a good alternative to it. i called it exuberantism, but there are many ways. but the most important thing is not to dismiss false beliefs entirely, since your employer might some day fire you because of some coming quadrature on his business.